quarta-feira, 7 de novembro de 2012


DEPRESSÃO: Uma doença da mente[1]

Thais Moreira e Uquiana Lucas[2]

Nos dias atuais, a população está sofrendo graves consequências da globalização. Diante disto, a saúde do ser humano acaba sendo afetada também. A depressão que surge em consequências disto, se manifesta em várias ocasiões: depressão pós-parto, depressão de transtorno, depressão afetiva, depressão de humor, entre outras. Mas hoje iremos abordar como tema a depressão de transtorno, sendo está a mais comum entre as pessoas.
Na depressão de transtorno, o portador muda de humor em segundos. Por isso essa patologia é chamada dessa forma pelos psiquiatras. Vale ressaltar que a cada dia aumenta mais o número de pessoas com essa doença. Ela atinge as funções da mente humana, fazendo com que tudo se torne problemático, difícil e cansativo deixando a pessoa bastante desmotivada com uma sensação de vazio, de impotência e de incapacidade.
Diante disto, podemos dizer que a depressão se manifesta de várias maneiras, da mesma forma que outras doenças e no Brasil, estudos mostram que ela vem atingindo constantemente a população.
Devemos lembrar que a depressão não é uma doença fácil de ser tratada, pois não depende apenas de um simples tratamento, mas de toda uma ajuda em conjunto. Precisa dos familiares, amigos e principalmente do próprio portador da doença. É de fundamental importância que o portador aceite a ajuda para iniciar um tratamento antes que a doença se torne ainda mais grave.
É ai que devemos ressaltar a contribuição do profissional de Enfermagem no tratamento da depressão, pois este irá acompanhar a sua evolução e reabilitar esse paciente para que ele possa voltar a ter uma vida normal como antes.
Não vamos esquecer, porém que a depressão é uma doença que pode atingir qualquer pessoa, por isso é importantíssimo acreditarmos que mesmo estando com depressão, nós somos capazes de mudarmos nossa vida, de encontramos  saída para todos os problemas e que acima de tudo você pode ser feliz. Mas essa é um iniciativa que depende de cada um, especialmente do paciente deprimido.





[1] Texto de opinião produzido na Disciplina Leitura e Produção Textual Ministrada pelo Professor Tinoco Luna

[2] Alunos do 2º período “C” do Curso de Enfermagem da Faculdade do Vale do Jaguaribe (FVJ)

PRÉ-NATAL: A importância desse procedimento para gestantes e bebês[1]

Wesley Carneiro e Ana Sueli[2]

            O acompanhamento pré-natal é essencial para garantir uma gestação saudável e um parto seguro, também para esclarecer dúvidas das futuras mães. A gestação caracteriza-se por ser um período de mudanças físicas e emocionais no qual a mulher necessita de um acolhimento adequado, oferecendo respostas e apoio para esclarecer suas dúvidas, angustias, curiosidades em saber o que esta acontecendo com seu corpo.
            Com o objetivo de melhorar o acesso à cobertura e a qualidade desse atendimento, o Ministério da Saúde no ano de 2000 lança o programa de Humanização do Pré-natal e Nascimento. Ele incentiva as gestantes a buscarem o Sistema Único de Saúde (SUS) e estabelecer que sejam  realizadas no mínimo seis consultas, uma no primeiro trimestre de gravidez, duas no segundo e três no terceiro. Nessas consultas o médico ou enfermeiro deve verificar a pressão arterial, o tamanho da barriga e o peso da futura mãe e também escutar o coração da criança.
            Esse acolhimento proporciona discussões em torno das necessidades das gestantes, toda vez que a usuária entra em contato com o serviço de saúde, obtendo respostas a suas necessidades por meio da assistência, ou de informações, isto é, quando os profissionais demonstram interesse pelos seus problemas e se prontificam para resolvê-los. O pré-natal diminui os riscos de complicações e mantém o bem-estar da mãe e do feto, durante esse acompanhamento a gestante recebe informações sobre cuidados importantes como aleitamento materno, alimentação balanceada e a prática de exercícios físicos. O indicado para uma gravidez sem complicações e realizar todos os exames indicados como os testes de sangue, glicemia, sorologia, anti-HIV, entre outros.
            O pré-natal não é só importante para os bebês, mas também para as mães. Muita dessas gestantes que sofrem violência domestica, e a gravidez chega a ser indesejada. Por isso é importante o pré-natal com esse acompanhamento poderá identificar quais são as maiores dificuldades das gestantes se a gravidez tem algum risco e se o feto está tendo um bom desenvolvimento. Toda gestante tem direito ao pré-natal e abrir mão desse atendimento é indispensável, garantir-se de que seu filho vai ter um bom desenvolvimento, e a gestante terá um parto saudável.




[1] Texto de opinião produzido na Disciplina Leitura e Produção Textual Ministrada pelo Professor Tinoco Luna

[2] Alunos do 2º período “C” do Curso de Enfermagem da Faculdade do Vale do Jaguaribe (FVJ)


TUBERCULOSE: Um grave problema de saúde pública[1]

Conceição Delne, Fabiana Costa Lima e Tácia  Maia[2]

Você sabia que a tuberculose é uma doença infecto – contagiosa e por conta disso é um grave problema de saúde pública? Pois é, a tuberculose é uma doença que além de acometer os pulmões pode atingir também diversos órgãos do corpo; é transmitida de pessoa para pessoa, principalmente através do ar, sendo assim de fácil disseminação.
Falar sobre tuberculose desperta curiosidade, pois como podemos entender o porquê de uma doença considerada das mais antigas que chegou ao Brasil com os colonizadores, ainda ser responsável por um incalculável número de vítimas em todo mundo, atingindo diversas faixas etárias e classes sociais?
Segundo dados da OMS (Organização Mundial de Saúde) estimam – se que 1/3 da população mundial esteja infectada, sendo que no Brasil são cerca de 50 milhões e que no total 80 mil pessoas morrem por ano em consequência da tuberculose. Apesar de ser uma doença grave, é curável em 100% dos casos, mas para isso é necessário um diagnóstico precoce, um tratamento eficiente e principalmente orientações de profissionais da saúde. Nestes casos o enfermeiro tem papel fundamental, pois ele é responsável pelo acompanhamento ao paciente, contribuindo para que este siga rigorosamente o esquema de tratamento e, assim, seja curado mais rapidamente.
Então, diante dos fatos apresentados, podemos ressaltar que a tuberculose é um problema de saúde pública e que cabe ao profissional de saúde, em especial ao enfermeiro, esclarecer a comunidade quanto aos aspectos importantes da doença, como também conscientizar de que um diagnóstico rápido e seguro, acompanhado de um tratamento precoce, são medidas fundamentais para quebrar qualquer cadeia de transmissão e controlar a tuberculose no Brasil e no mundo.
 Através do presente trabalho mostramos uma análise sucinta da tuberculose enquanto doença social, como também esperamos que as reflexões aqui produzidas sirvam como elementos para impulsionar o debate e qualificar as ações de redução do impacto que a tuberculose pode provocar na sociedade.



[1] Texto de opinião produzido na Disciplina Leitura e Produção Textual Ministrada pelo Professor Tinoco Luna

[2] Alunos do 2º período “C” do Curso de Enfermagem da Faculdade do Vale do Jaguaribe (FVJ)

sábado, 13 de novembro de 2010

A COBRA CASOU COM O PORCO ESPINHO E TEVE 12 ROLOS DE ARAME FARPADO. Contribuições Étnicas para a Formação da Cultura Brasileira


Francisco Canindé Tinoco de Luna*



Ethos é a imagem que alguém faz de si mesmo. Logo, o grupo de pessoas que se vê com imagem semelhante constitui uma etnia. A contribuição étnica para a formação da cultura brasileira veio da participação de três grandes correntes humanas: brancos de origem européia, especialmente portugueses, negros africanos que vieram obrigados para exercer o trabalho escravo e os índios que aqui estavam no tempo das descobertas. Dessa mistura de etnias nasceu uma das culturas e uma das nações mais diversas e mais interessantes do planeta: o Brasil.
Em princípio, convém ressaltar que a visão tradicional acerca da contribuição das etnias para a cultura de nosso país foi, durante séculos, uma visão preconceituosa e equivocada; chegou-se ao cúmulo de afirmar que o Brasil nunca ia se desenvolver porque as “raças” que tinham formado o nosso povo eram inferiores: o português pouco inteligente e covarde, o negro supersticioso e truculento e o índio preguiçoso e canibal.
A moderna antropologia, no entanto, prova que não pode haver maior equívoco e maior injustiça do que admitir esses absurdos. Na verdade, até mesmo a palavra “raça” foi muito mal empregada por longo tempo; não existe, antropologicamente, diferentes raças entre os homens: o ser humano constitui uma raça só e a diferença de cor nada tem a ver com inteligência, intelecto ou aptidão para qualquer habilidade.
Vamos, no presente trabalho, descrever e analisar um pouco acerca da contribuição desses três importantes elementos humanos na formação da cultura brasileira. O índio que aqui estava no tempo das grandes descobertas, apesar de algumas práticas estranhas ao ideário cristão dos descobridores, tais como a poligamia, o canibalismo e andar nus, deixou heranças importantes que hoje estão impregnadas na cultura brasileira, dentre as quais podemos destacar: o costume do banho diário, a culinária e uma série de termos que foram incorporados ao português brasileiro. Além disso, o ideal de liberdade, característica marcante da brasilidade, certamente é herança dos índios. Lembremos que os povos indígenas, nunca aceitaram a escravidão, fizeram até uma guerra chamada Confederação dos Tamoios para evitá-la e, por isso, obrigaram os portugueses a ter que ir buscar escravos na longínqua África. Interessante acerca dos índios era a tolerância deles para com a questão do homossexualismo. Entre os indígenas, o homossexual era não só respeitado como venerado, era considerado um ser místico e sensitivo que geralmente exercia a função de profeta, conselheiro e de líder espiritual.
Os negros, etnia que foi violentamente arrastada para nosso país para sofrer os horrores da escravidão, tem uma das mais importantes contribuições para nossa cultura. Além da violência física, os negros também sofreram a violência intelectual. Os padres, a serviço de Portugal, procuravam convencê-los de que a escravidão tinha sido uma coisa boa para eles: ao sair da África, eles estavam sendo escolhidos pelo Deus verdadeiro para vir conhecer o cristianismo e os maus tratos pelos quais passavam na escravidão não passavam de uma caridade que os portugueses estavam lhes fazendo para que eles pagassem seus pecados e pudessem se salva, diziam. A contribuição do negro hoje pode ser notada na música e nas danças, mas o grande legado deixado por eles foi a alegria marcante que caracteriza o povo brasileiro.
O branco, elemento invasor e responsável pelo massacre contra os índios e pelas atrocidades contra os negros, também deixou uma contribuição fundamental para a nossa cultura. A língua que falamos, a religião cristã, a organização política e o sistema econômico que o Brasil adotou seguiu a influência portuguesa. Fazendo justiça, é bom que se diga que o português, nem de longe é esse tolo que ainda hoje serve de motivo para muitas piadas e filmes de comédia; segundo Napoleão Bonaparte, o único imperador que conseguiu enganá-lo foi exatamente D. João VI, monarca português que realizou uma das bem elaboradas operações de guerra de todos os tempos: a vinda da família real para o Brasil. Apesar da contribuição positiva dos portugueses, eles também deixaram uma herança que nós precisamos até hoje combater: o complexo de colônia, ou seja, aquela ideia de que bom é o que vem de fora, associada a ideia de que devemos esperar sempre por um “salvador’ que resolva nossos problemas, quando nós mesmos é que deveríamos procurar resolvê-los.
Em síntese, podemos afirmar que tudo de bom que a nossa cultura tem veio das contribuições dessas três etnias: dos índios herdamos o ideal de liberdade, dos negros a alegria e dos brancos a língua portuguesa. Liberdade, alegria e a quinta língua mais falada do mundo: isso é Brasil e esse é o povo brasileiro.

*Professor da Faculdade do Vale do Jaguaribe – FVJ, Especialista em Língua Portuguesa, Leitura e Produção de Textos e Especialista em Metodologia e Docência do Ensino Superior.

domingo, 7 de novembro de 2010

TUDO JUNTO E MISTURADO: A transmissão da Variedade Significativa e a Eficiência da Comunicação humana

Francisco Canindé Tinoco de Luna*


A comunicação humana, feita por meio da linguagem, nada mais é do que a transmissão de significados. O homem, observando o mundo a sua volta, percebe e capta milhares de informações e sentimentos. Essas informações e sentimentos viram imagens em sua mente, ou seja, viram símbolos, símbolos que, logo a seguir, ganham valor e se transformam em significados. Esses significados são vitais para a sobrevivência e o progresso humano, pois, tratam de avisar perigos, apontar vantagens, informar sobre uma descoberta, passar o conhecimento a frente e etc.
Acontece que o homem percebe e sente a cada instante novas informações e sentimentos e é isto que faz com que, ao longo de sua trajetória de vida, o ser humano produza uma quantidade infinita de significados, ou melhor, produza uma grandiosa variedade significativa. Surge aí um problema: Como é que o homem vai conseguir passar para o outros, com eficiência, essa quantidade infinita de significados que ele produz ao longo de sua existência? Em outras palavras, como é que o homem consegue obter eficiência comunicativa?
Para responder a essa pergunta vamos descrever um pouco acerca da história da transmissão da variedade comunicativa. Dizem os estudiosos que os animais também conseguem transmitir significados, ou seja, de certo, eles também conseguem se comunicar. Os peixes conseguiriam transmitir até dez significados, enquanto algumas espécies de macacos até quarenta sinais. São sons e posturas corporais que os animais transmitem uns aos outros para comunicar alguma coisa: a aproximação de um predador, a existência ou falta de comida, a sexualidade e etc. No fundo, esse comportamento, seria muito mais instintos de sobrevivência do que propriamente uma comunicação; de qualquer modo, é inegável que se trata de uma forma incipiente de transmissão de variedade significativa.
O homem, lá nos seus primórdios, não era muito diferente dos outros animais. Acredita-se que, antes de criar a linguagem verbal, os humanos conseguiam transmitir cerca de 100 a 150 sinais, o que tornaria a comunicação humana absolutamente impossível, haja vista a quantidade infinita de significados que produz ao observar a natureza a sua volta. Para resolver esse problema, o homem, depois de muito esforço e de muitos séculos, ou quem sabe milênios, criou um instrumento potente para transmitir com eficiência a variedade significativa, ou seja, para se comunicar com eficiência: esse instrumento potente é conhecido como linguagem verbal humana.
O percurso do homem primitivo até a invenção da linguagem verbal foi mais ou menos assim: O ser humano primitivo, lá nas cavernas, agiu sobre a natureza criando a cultura e o trabalho; ao trabalhar e transformar a natureza o homem se sentiu um ser produtivo; ao produzir se viu diferente dos demais entes da natureza e tomou consciência de si próprio; tomando consciência se viu na tríade existencial do “eu, aqui, agora”, passando a ter noção de individualidade,de tempo e de espaço; questionando-se acerca do “eu, aqui, agora”, o homem começou a simbolizar mentalmente o que via e iniciou um processo de comunicação consigo mesmo, o que chamamos de comunicação intra-humana; essa comunicação intra-humana veio junta com o desejo e a necessidade de passar a frente esses significados; surge assim o desejo de falar e para falar comunicando com eficiência o símbolos que estavam em sua mente o homem criou a linguagem verbal.
Mas a linguagem verbal já nasceu com um problema: como é que milhões de significados que são produzidos pelo homem no seu contato com o mundo seriam transmitidos de modo eficiente pela linguagem que, como sabemos, é composta por um número pequeno e limitado de sinais e fonemas? A linguagem é um instrumento, mas, todo instrumento para funcionar precisa de um dispositivo. Por exemplo, um carro é um instrumento que para funcionar precisa de chave de ignição. Qual foi, então, a chave de ignição da linguagem verbal? A resposta é: a chave que aciona a linguagem é um dispositivo que, incrivelmente, aparece em todas as línguas naturais e chama-se dupla articulação da linguagem. Mas a dupla articulação da linguagem é tema para outra aula. Vamos parar por aqui; não há necessidade de “sofrer” por antecipação.


*Professor da Faculdade do Vale do Jaguaribe – FVJ, Especialista em Língua Portuguesa Leitura e Produção de Textos e Especialista em Metodologia e Docência do Ensino Superior

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

DONDE TU REIN, PRONDE TU RAI? Aspectos Históricos da Cultura Brasileira





Francisco Canindé Tinoco de Luna*


A cultura brasileira começou a ser gestada no contexto histórico do século XV. Vivia-se o fim da idade média e o capitalismo estava em seus primórdios. A transformação do artesanato em manufatura abriu novos mercados ao redor do mundo e esse fato forçou as grandes navegações que se tornaram possível graças às novas invenções: caravela, bússola, pólvora, papel e etc. Ao chegar a terras distantes para travar relações comerciais, os europeus acabaram descobrindo a outra parte do mundo e iniciaram um processo de colonização e aculturação dos povos nativos. Foi no bojo desses acontecimentos que nosso país foi descoberto e que se deu inicio a um longo e doloroso processo de colonização e, paralelamente, de formação da cultura brasileira.
Para entender o processo de formação da cultura brasileira precisa-se partir da premissa de que o Brasil, como país colonizado, dominado e aculturado pelos portugueses, teve uma cultura transplantada, ou seja, imposta de Portugal para cá, já que nada do que tínhamos aqui em matéria de cultura autóctone interessava aos invasores. Brancos portugueses, considerando-se civilizados, negros africanos supostamente em estado de barbárie e índios nativos taxados de selvagens, foram as correntes humanas que mais contribuíram para a formação de nossa cultura.
São aceitas três etapas no processo de formação da cultura brasileira: Cultura Colonial que se inicia em 1500 com o descobrimento e vai até 1750 com a expulsão dos jesuítas; Cultura de Transição de 1750 até 1930 com o início da era Vargas e a consolidação do poder burguês no Brasil; e Cultura Nacional que vem de lá até os dias atuais.
Na fase de Cultura Colonial prevalece e transplantação brutal da cultura européia, com o extermínio dos índios, a escravização dos negros e alienação da educação jesuítica. Esse é o período do roubo do pau Brasil e do ciclo da cana de açúcar. Nesse período não se fala português no Brasil, o idioma é a língua geral e os Jesuítas acabam sendo expulsos, inclusive para permitir a imposição da língua de Camões. Na fase da Cultura de Transição, continua os métodos da fase anterior, acrescida do enriquecimento de algumas camadas sociais em função do ciclo do ouro e o consequente surgimento da pequena burguesia. É nesse período que surge a consciência nacional, as lutas pela separação de Portugal e a independência do Brasil. A cultura de elite, os preconceitos raciais e o complexo colonial, ainda hoje presente, se formatou nessa fase. As lutas sindicais do início do século XX, fundação do Partido Comunista e a Coluna Prestes eram sintomas de que uma nova etapa da cultura nacional estava prestes a se iniciar: a cultura nacional propriamente dita.
Na fase dita de Cultura Nacional, a burguesia assume definitivamente o poder em nosso país e aflora o autêntico espírito de brasilidade na Semana de Arte Moderna. Surgem os meios de comunicação de massa – MCM, especialmente rádio e televisão e a indústria cultural com o cinema, as gravadoras musicais, o teatro profissional e as grandes editoras de livros e revistas. Nas artes surgem manifestações genuinamente nacionais como o concretismo, a poesia práxis, o poema processo, o tropicalismo, a geração mimeógrafo e a poesia marginal. No dizer de Caetano Veloso a cultura nacional teria nascido na Semana de Arte moderna em 22, teria se internacionalizado com o concretismo na década de 50 e teria se popularizado em 60 com o tropicalismo.
A cultura nacional, na atualidade, vive o momento chamado de pós-modernidade, compreendendo-se esse tal pós-modernismo, como sendo a era do tratamento informatizado do conhecimento. Época da sociedade do espetáculo e do conhecimento, na qual a informação passada com velocidade espantosa é o insumo mais importante. Um momento em que os fundamentos do mundo moderno começam a ser questionados, as crenças caem por terra, as grandes certezas não são mais as mesmas e o homem parece, perdido, caminhar em busca do nada.
O Brasil, no momento, passa por uma crise de identidade quanto aos passos que dará rumo a um futuro de destaque no conjunto das nações do planeta: implementaremos um projeto autônomo de desenvolvimento nacional ou embarcamos na onda da integração sem regras ao contexto internacional? Precisamos, urgentemente, definir nossa identidade enquanto nação do século XXI: seremos o Brasil de Tiradentes ou de Joaquim Silvério dos Reis?

REFERÊNCIAS

BOSI, A. Cultura brasileira: temas e situações. São Paulo: Ática,s.d.
BRAGA, J.A. Cultura Brasileira. Fortaleza: Faculdade Gama Filho, 2001.
SODRÉ, N.W. Síntese da história da cultura brasileira. 20. ed. Rio de Janeiro: Bertrond do Brasil, 2003

*Professor da Faculdade do Vale do Jaguaribe – FVJ, Especialista em Língua Portuguesa, Leitura e Produção de Textos e Especialista em Metodologia e Docência do ensino Superior.

domingo, 19 de setembro de 2010

O SIGNIFICADO DE SIGNIFICADO. Texto do professor Tinoco Luna utilizado em aulas de Semântica



O SIGNIFICADO DE SIGNIFICADO
A busca da Ciência por este velho “senhor” das mil faces


Francisco Canindé Tinoco de Luna*

Por mais paradoxal que possa parecer, a SEMÂNTICA é o mais novo campo de estudo de estudo da Lingüística e, ao mesmo tempo, a preocupação mais antiga da investigação sobre linguagem. Na verdade, desde o século V antes de Cristo, portanto há 2.500 anos lá na Grécia antiga, os filósofos já procuravam explicar a origem e a natureza da linguagem, bem como a relação entre as palavras e as coisas que elas nomeavam ou significavam. Porém, enquanto a morfologia, a sintaxe e a fonologia, foram muito bem desenvolvidas pelo estruturalismo e pelo gerativismo, o estudo do significado em torno do que hoje se chama Semântica, só começou a ser sistematizado enquanto disciplina nas últimas décadas.
Desse paradoxo podemos extrair duas lições: a primeira é que, se a investigação sobre o significado remonta milênios é porque essa área de estudo é que é realmente importante e que deve desempenhar papel central no estudo sobre o fenômeno da linguagem. Depois, se a tentativa de transformar a Semântica em ciência é coisa recente, isso se deve ao fato da grande dificuldade que sempre se teve em definir o que é significado. Os teóricos, até bem pouco tempo, sempre fugiam dessa questão e, enquanto esperavam que outros ramos do conhecimento como a filosofia, a psicologia e a antropologia, explicassem nuances até então não investigadas no campo do saber, a semântica ia sendo marginalizada e “empurrada para frente com a barriga”.
Para apreender o significado, esse fugaz objeto de estudo da Semântica, um caminho a ser trilhado pode ser o das múltiplas inteligências de que o homem dispõe segundo nos informou recentemente a psicologia cognitiva. A saber: inteligência lingüística para lidar bem com as palavras; a lógico-matemática para a habilidade do cálculo; a musical para se expressar por meio de rítimos e sons; a pictórico-espacial para se projetar mentalmente no espaço e esquematizar arquétipos; a cinético-corporal para expressar sentimento por meio do corpo; a interpessoal para um bom relacionamento social; a intrapessoal para conviver bem com os problemas internos e para auto-aceitação; a emocional numa somatória das duas últimas; e a espiritual ligada à defesa de causas nobres.
Mesmo acionando esse arsenal de inteligências, o significado continua escorregadio, difícil de ser entendido. Trata-se de um amálgama, um corpo sem rosto, ou de um ser de muitos disfarces. Em alguns momentos, o significado serve à Psicologia quando ajuda a entender como funciona a mente humana e como se adquire o conhecimento. Noutra ocasião está na Filosofia procurando mostrar como o ser humano constrói suas idéias acerca do mundo e como essas idéias se estruturam de modo aceitável. Depois aparece na Lógica querendo explicar a verdade para saber se ela está no mundo ou se nós a construímos. Como não poderia deixar de ser, e aqui está o nosso interesse maior, o significado também pasta livremente pelos campos da Lingüística e, nessa área em particular, busca entender como o homem elabora seu pensamento simbólico e como se processa o fluxo intersubjetivo de significados, responsável em última instância pela construção da cultura humana.
Para termos uma idéia da importância e da complexidade do que seja significado, nessa busca pelo sentido da vida e pela verdade dos fatos, atentemos para duas matérias publicadas na imprensa nos últimos tempos: uma, de 24/11/2004, no Diário do Nordeste, mostra a hipótese levantada por dois prestigiados cientistas ingleses, na qual a terra e toda humanidade poderia ser apenas uma realidade virtual como no filme Matrix; uma civilização superior teria nos criado para fazer testes. A outra, na revista Época do dia 06/08/2007 que, falando das últimas pesquisas sobre Sinestesia, distúrbio da troca de sentidos que em grau maior ou menor quase todos temos (um gosto parecer um cheiro, um som parecer uma cor, etc), levanta a hipótese de que os conceitos que carregamos em nossa cabeça, influenciam o modo como vemos o mundo e vice-versa.
Nesse texto introdutório sobre Semântica, buscamos atiçar a curiosidade dos alunos, preparando-os para a disciplina que ministraremos neste VI período de Letras da FVJ. Mostramos que a Semântica, como nos diz Duarte (2001) se “constitui num dos domínios mais fascinantes da linguagem, cuja essência pressupõe a troca de conteúdos simbólicos que permitem a transmissão da cultura entre os homens”.
Na busca do significado de significado, certamente, parafraseando Shakespeare, “há muito mais do que nossa vã filosofia”. Este velho “senhor das mil faces”, objeto de estudo da Semântica, em última instância é quem inventa o mundo em que vivemos.

* Especialista em Língua Portuguesa, Leitura e Produção de Texto; Especializando em Metodologia e Docência do Ensino Superior; Professor de Produção Textual, Lingüística Textual, Literatura Cearense e Semântica da Faculdade do Vale do Jaguaribe – FVJ.

REFERÊNCIAS

BORBA, F. da S. Introdução aos estudos lingüísticos. 9. ed. Campinas: Pontes, 1991.
DUARTE, M. H. Iniciação à Semântica. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1988.
KOCH, I. G. V. A inter-ação pela linguagem. São Paulo: Contexto, 1992